‘Quem é pai, sabe, só pensava nele’, diz torcedor que protegeu filho em SC


Na torcida do Vasco, Marcos Aurélio relata ajuda de torcedor atleticano em briga na Arena Joinville. ‘Ele pediu a outros torcedores para não fazerem nada com a gente’

 

Ir ao estádio com o filho de 8 anos sem a camisa do Vasco da Gama e uma ‘intervenção divina’. Esses foram os motivos para que Marcos Aurélio dos Santos e seu filho Marcos Vinícius não sofressem com a violência provocada pela confusão entre torcedores de Atlético-PR e Vasco, no último domingo, na Arena Joinville, durante partida válida pela última rodada do Campeonato Brasileiro. O representante comercial de 37 anos, que mora a cerca de 300m do estádio, se viu em meio à briga (veja no vídeo ao lado nos 13 primeiros segundos), longe do setor da torcida vascaína, onde se encontrava. E, por pedir muito a um torcedor atleticano, conseguiu se salvar ileso, porém assustado.

Marcos Aurélio e o filho, torcedores do Joinville, mas que simpatizam com o Vasco, estavam longe de uma das torcidas organizadas do clube carioca, mas no mesmo setor – ele relata que, devido à quantidade de torcedores vascaínos, foi aberto outro setor para a torcida para onde se dirigiu com o filho. Mesmo no último degrau, quando a confusão teve início, Marcos Aurélio acabou no meio da confusão, com a invasão dos atleticanos. Mas um deles ajudou a ele e seu filho.

– Fui com a mão e disse para não fazer nada, que se fosse fazer alguma coisa que fizesse comigo. Ele disse que não ia fazer nada, então disse para ir comigo até embaixo, para achar que a gente era torcedor do Atlético. Ele pediu a outros torcedores para não fazerem nada com a gente. Quando eu desço, ele empurrou outro cara do Atlético-PR para o lado, não deixou chegar perto. Naquela cena, ou eu ia para o paredão com os torcedores do Vasco para sair pela outra entrada, ou esperava para ver o que ia acontecer. Decidi ficar. Segurei ele (filho), e fiquei desviando dos torcedores. Já o torcedor que me ajudou saiu correndo quando a polícia chegou. Neste momento fui para o outro lado. Foi quando pegaram ele. Logo em seguida, subiu a polícia, que atirou com bola de borracha. Fui para a torcida do Vasco, saí pela entrada e fui para casa o mais rápido possível – relembra ele, que se diz aliviado por esbarrar com o torcedor ‘certo’ e a decisão de não ter ido com a camisa do Vasco.

– Agradeço a Deus, tenho muito fé, Ele botou a mão em cima dele. Se desse um soco, iríamos escada abaixo, mas demos a mão, eu segurei no braço dele e ele no meu. Quando deu a invasão, eu corria para um lado e para o outro, pensava que se o meu filho caísse ali, a gente seria pisoteado. Deixei a camisa do Vasco em casa, fui como cidadão. Se tivesse com camisa do Vasco… Selvageria.

Como todo pai, Marcos Aurélio só tinha uma coisa na cabeça: proteger seu filho. A reação foi segurar Marcos Vinícius contra seu peito, tirando a criança como um possível alvo da ira dos torcedores do Atlético-PR. Uma cena daquelas, para um torcedor do JEC, acostumado a jogos mais calmos, não estava nos planos do representante comercial.

– Imagina, eu só pensava nele. Quem é pai, sabe. Só pensava no meu filho. Se eu estivesse sozinho, tudo bem. Ele ficou branco, não falou nada. Ficou apavorado, é criança. Sou sócio do Joinville há 10 anos, meu filho é fanático por futebol, está na escolinha, queria ser jogador. É o sonho dele, mas está tão assustado que falou que não quer mais ir ao estádio. É momento, está assustado. Nunca vi uma coisa dessa no estádio, estou decepcionado por ter visto uma cena aquela.

Se depender dele, jogo na Arena Joinville de time grande, como Flamengo, Corinthians e Vasco, como cita, nunca mais. Para evitar outras possíveis confusões, apenas jogos menores, como do Campeonato Catarinense, já que a polícia militar se faz presente, fato não visto no jogo entre Atlético-PR e Vasco.

– Nunca vi um jogo na Arena Joinville sem polícia. Se tivesse, até poderia ter a briga, mas não com aquela proporção. Como só quatro seguranças são preparados para isso? Jogo de futebol, só se for do Joinville no Catarinense ou jogo de uma torcida só na Série B – diz Marcos Aurélio, que, com o rebaixamento de Vasco e Fluminense e o medo de brigas, vai perder dois jogos na Série B do Brasileiro de 2014.

confusão torcida Atlético-PR e Vasco jogo (Foto: Cleber Yamaguchi / Agência Estado)
Torcedor que ajudou Marcos Aurélio acabou ficando ferido na confusão
Anúncios

Sobre lucasdefraga

Guri gaúcho, colorado e que cursa Sistemas de Telecomunicações.

Publicado em 9 de dezembro de 2013, em Critica social, Destaque da semana, Futebol, Notícia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: